3 de maio de 2009

Sem coragem de encarar o frio que faz lá fora, me encolho feito um caracol no velho cobertor de oncinha que um dia foi da cama de casal dos meus pais e que na verdade deve ser a única coisa nesta casa que lembra um casal na forma tradicional da coisa.

Não uso mais pijamas pois há algum tempo deixei de combinar bolinhas brancas com listrinhas azuis e todos os pijamas do mundo são muito curtos ou muito longos, muito frios ou muito quentes. Não sou uma pessoa de pijamas, afinal. Assim como também não sou uma pessoa de chazinhos. Chás de ervas, de flores, de frutas, de aromas, cores e... sabor nenhum! Não é pra mim.

Por isso visto a velha camiseta da copa de um ano que eu me recuso a dizer e meias que obviamente não são um par. E reforço a teoria de que pares e casais não fazem parte do meu cotiano e nem do meu lar doce lar.

Fecho as janelas. Não pelo frio, mas para abafar o barulho da rua.
E aqui no meu cantinho, tudo parece quentinho o suficiente e aconchegante o sufciente.
Adoro o frio. Mesmo. Adoro a sensação daquele calorzinho gostoso subindo pelas pernas até chegar às pontas dos dedos das mãos, quando o corpo todo formiga e de repente, como num estalo de pipoca a gente se aquece por inteiro. Aí aquele suspiro aliviado faz cada célula relaxar, o corpo se esparrama pela cama. Que delícia!

E, estando prestes a me esparramar assim, já devidamente calçada de meias diferentes, camiseta surrada e munida do meu super-cobertor-de-oncinha, recebo um lembrete sobre a sugestão do frio a vontades de abraços intermináveis.

Pois é. Nessa hora não há oncinha que esquente o frio que faz a falta de outros braços além dos meus por debaixo deste cobertor.

Um comentário:

carollina lauriano disse...

sabe quando falta uma gota para voce desabar em lágrimas? então, esse texto foi a gota. caralho, chorei!