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29 de junho de 2009

Estou aqui, falando de cafeteiras quando o que eu queria mesmo era um abraço.

O frio na barriga já faz parte de mim, como o ar que entra pelos pulmões, as unhas e cabelos que cresecem. Indolor e imperceptível. Quando vejo, já estão lá. E já estão prontos para ser aparados. Acho que este é o momento de fazer as aparas necessárias. Cortar o que está sobrando e podar as emoções desnecessárias. Porque sentir frio na barriga é gostoso quando a intensidade aumenta com a adrenalina de ver o tal causador de tanta euforia. Mas quando o encontro passa a ser uma pura e simples ilusão, o friozinho vai ficando ali, vai esfriando e perde completamente o sentido de estar ali. De repente, as borboletas no estômago, que antes dançavam eufóricas começam a ensaiar um tipo de balé de passos lentos e o resto do corpo se acostuma com a idéia delas estarem ali e nada acontecer... nunca.

Porque tudo que eu queria era de novo sentir a mão dele em volta da minha cintura, o gosto dos lábios, os dedos entre os meus cabelos; ouvir a voz, sentir o perfume, o calor, o coração pulsando. Vida. É isso que eu quero sentir dele, vida. Nada ensaiado, nada frio através da tela de um computador ou de um celular.
Quero ver a cara dele quando eu falo alguma coisa que ele não entende, e quando me explica as coisas que só ele entende, quero ouvir a risada quando eu falo besteira, quero o silêncio dele, quando acaba o assunto, antes de me beijar.
Quero ele. Inteiro, por completo. Simples assim.
Não, não é simples, mas podia ser.