4 de maio de 2009

É campeão!!!

Bandeirolas esvoaçantes nas janelas, buzinas, gritos e tudo que final de campeonato pede.
Parecia Copa do Mundo. Coisa linda de ver.

Meu pai tirou do armário o velho bandeirão. Lavou, secou, passou e estendeu na janela da varanda. Nunca vi meu pai fazer isso. Aquela bandeira devia estar no armário há uns 20 anos, no mínimo. Disfarçamos o furo que o tempo fez com fita crepe.

Que orgulho. Do meu pai, claro.
Meu pai deixou de lado todos os conservadorismos que cercam os "novos velhos" que acabam de entrar nos cinquenta e gritou pra quem quisesse ouvir "to nem aí, povo de Deus".
A mulher acha ridículo um cara de cabelos grisalhos se dedicar tanto a caprichos de moleques de 20 anos, como estender bandeirão na varanda em dia de final de campeonato, mas ele nem ligou.

Quero ser assim um dia.
Quero ter a sensação de dever cumprido e saber que daquele momento em diante posso me dedicar a caprichos e manias ridículas, pois já terei criado minha filha, já terei arcado com estudos, moradia e caprichos todos que estiverem à minha altura fazer por ela, já terei trabalhado 30 anos e contribuído religiosamente com a Receita Federal, já terei votado para presidente, já terei cumprido a minha cota de voluntariado nas eleições, já terei pagado o dízimo, já terei escrito um livro, ou um esboço dele, já terei plantado uma árvore.

Aí, sim. Vou viajar. Vou conhecer gente. Conhecer cada cantinho desse Brasilzão de meu Deus. Vou sair pra dançar, vou aprender a dançar, vou aprender a tocar guitarra (direito), vou tomar vinho à noite sem medo da dor de cabeça no dia seguinte, vou dormir sem preocupação com horário de acordar. Vou, sem ter que vir. Sair sem precisar voltar.

E nesse momento eu penso que não ter para quem voltar às vezes é necessário. Não ter quem pergunte o porquê do atraso, não ter alguém que dependa da minha chegada para nada, não precisar viver de porquês e para quês, nem de "preciso ter", nem de "tenho que fazer".

Quero meus cinquenta. Quero meu digníssimo meio século para viver.
Quero dormir na areia e acordar com o sol torrando meus neurônios. Quero tomar um ônibus direto para o Cafundó do Judas e dormir a viagem toda e me hospedar numa pousada de vinte reais sem ninguém perguntar onde estou indo porque não estarei indo a lugar algum.
Quero colocar uma mala no banco do passageiro do fusca vermelho de três mil reais e me embrenhar estrada adentro.

Mas depois de todos esses quereres, vou querer que meu telefone toque e vou querer uma voz do outro lado da linha perguntando "está se divertindo?". E quero isso porque quero sentir vontade de voltar.

*** De novo comecei nas comemorações e terminei em abobrinhas***

Nenhum comentário: