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6 de agosto de 2009

São quinze pras duas da manhã. Saí do escritório às onze da noite. Voltei sozinha pra casa, correndo e com medo, por estar até tão tarde na rua em uma simples terça-feira. Porque depois de 14 horas ininterruptas de trabalho eu já nem faço idéia de que cor é a calçada e esqueço como é do lado de fora do escritório. Enfim, cheguei. Por sorte, minha pequena ainda estava acordada, me esperando pra "bincá" e contar como foi o dia. E, de volta às quinze pras duas da manhã, depois de colocá-la pra dormir eu sento no sofá, implorando pra que a dor de cabeça seja vencida pelo meu cansaço e vá martelar em outra cabeça antes de uma nova overdose de aspirinas. E também com um tiquinho de curiosidade pra descobrir como termina o episódio desta série que minha mãe acompanha religiosamente. Ali no sofá recebo o questionamento intrigado da minha mãe, depois de ouvir meu celular apitar incessantemente porque chegou msg: Kelly, você está namorando alguém? Quáaaaaaaaaaaaaaaaaa. Eu rio, óbvio. Risada mista de sarcasmo e ironia. Mas mãe é pior que brasileiro, não desiste. E lá vem ela emendar a conversa: filha, você ainda é muito nova pra desistir. Mãe, nós não teremos esta conversa!

8 de abril de 2009

Se criar filho fosse tarefa para uma pessoa só Deus não faria a coisa acontecer entre DUAS pessoas. Sim, porque até hoje a fórmula da concepção de uma nova vida inclui homem + mulher (da maneira mais conservadora possível). Até hoje, e até que provem o contrário, conceber uma criança, trazê-la ao mundo, ainda é tarefa para mais de uma pessoa.

Por isso assumo: não, eu não sou essa super mulher que você inventou e exige que eu encorpore.
Não, eu não sou capaz de fazer tudo sozinha. E se você é mesmo tudo isso que eu não sou, então me ensine alguma coisa.
Sua vida é diferente da minha então não me imponha suas decisões, pois elas não serão boas pra mim como parecem ser para você.
Pra mim simplesmente continua não fazendo sentido eu ter que assumir sozinha tarefas e responsabilidades de duas pessoas. Não acho certo, não acho justo. Mas espero que dê certo, um dia, no final de tudo.

Sim, eu sei que depois de tudo isso você vai sair com a clássica história de que o buraco tem a profundidade que a gente cava e estou pronta para ouvir que essa merda toda é culpa minha e que sempre corro atrás de uma sarna para me coçar.

Whatever... continuo não achando justo!

E não falo de mim, falo dela. Ela que ainda não sabe se cuidar nem aprender sozinha. Ela que precisa de muitas pessoas e vê todas sempre brigando por causa dela.

Essa não é a vida que quero pra ela. Nem pra mim.
Ninguém merece viver assim.