7 de outubro de 2010

Não acredite em "a gente se fala". Nunca.
Na verdade, duvide de tudo.

Uma vez li qualquer coisa sobre o termo "se cuida", que eles adoram usar. Dizia que a conclusão mais óbvia a qual nós, mulheres, poderíamos chegar era "é, neguinha, se cuida porque eu é que não vou cuidar de você". Nunca mais esqueci.

Não que seja verdade. Nem acho que é. Mas toda vez que ouço isso de alguém eu lembro da tal conclusão. Mas logo penso "ok, não preciso de babá mesmo". Quase que um protesto individual contra sei-lá-o-quê.

Agora existe outro termo me atormentando. O tal do "a gente se fala". Esse sim, me incomoda.
Porque eu, quando digo "a gente se fala", tenho plena convicção que tão cedo não falo, não. Sinônimo de "não me espera, eu vou te dar o cano". É o meu novo "deixa que EU ligo pra você". Então se alguém me diz "a gente se vê" ou "a gente se fala" é automático: ih, fudeu. Esquece que esse ó, nunca mais.

E geralmente eu não ligo mesmo. Pra ser bem sincera, geralmente quem diz isso sou eu.
Mas um dia a gente é pego de calça curta né, minha gente? Aí o gatinho é master blaster e você tá ali, toda idiotona, saindo do carro, quando ouve um "a gente de fala". Hum... pegou mal. Cartão vermelho na parada.

Ao que ele, insistente, lança o fatal "se cuida, tá?". Acaboooooooooooou. Desiste, minha filha.
Encolhe a barriga, ajeita a roupa, joga o cabelo e... Acorda no outro dia, linda e loura, em cima do salto, como se nada te abalasse nunca.

Ninguém precisa saber de nada.

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