10 de fevereiro de 2010

Os primeiros sintomas



Quatro dias após a mudança e meu pai continua se recuando a ir à minha casa. Uma forma de protesto, sei lá. Mostrar a indignação, a chateação e o desapontamento por mais uma vez me ver sair pela porta para viver uma vida minha só minha. Na verdade o que eu acho, de verdade, que está pesando nessa balança é a saudade da neta. O que pra mim seria "simples assim" de resolver já que moramos há menos de 100 metros e alguns andares de diferença. Mas certas coisas eu sei que só vou entender daqui uns 30 anos, provavelmente. Por isso eu não julgo, só espero. E nem me permio ficar chateada por isso; cada um tem o direito de expressar os sentimentos da forma que melhor lhe suavizar a alma.

Mas presta atenção nisso:

Segunda-feira, eu exausta, depois de um dia inteiro no escritório sem luz, sem elevador e com muito trabalho atrasado. Ainda precisava buscar roupas e outras coisas na casa da minha mãe, já que meu guarda-roupa está desmontado e tudo na maior bagunça. Às 21h recebo uma ligação do meu pai: "onde você está? Estou te esperando". A minha sensibilidade virginiana foi instantânea nesse momento e acabou com o paternalismo dele: "tá me esperando pra quê?". Fato: somos muito idiotas enquanto filhos, não dá pra mudar isso. Fui buscar minha filha pra dar um beijinho nos avós e, chegando lá, entendi o telefonema. No fogão, ainda quentinho, strogonoff. Cabe aqui uma explicação: é um dos meus pratos favoritos. Aquilo bateu forte, viu.

Claro que eu levei pra casa, né. Todo o menu!
Meu pai, nem saiu do quarto pra falar comigo. Disse um oi pra neta e foi só.

Ontem, fui direto pra casa. Preguiça, cansaço e sono, muito sono.
Desa vez, minha mãe ligou dizendo que ia até lá "dar uma olhada na gente". Ficou pouco, porque ainda não temos sofá e o único banquinho não é nada confortável. E trouxe na sacola: queijo minas (um pequenininho, que eu A-D-O-R-O) e batatinha palha, pra comer com o strogonoff. Disse ela que meu pai não quis ir até lá, mas ele que arrumou a sacola com as coisas que eu gosto e a batatinha, porque eu disse que não iria jantar na casa deles.

POr isso eu digo e repito: Eu te amo, são só palavras e nem sempre elas precisam ser ditas pra que a gente reconheça o sentimento.

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