De alguma forma, as pessoas se tornaram uma grande massa de uma coisa indefinida. Uma grande bagunça. Pra ser bem sincera, a culpa é minha. To tratando tudo e todos como Legos. Aí eu canso e enfio tudo num saco. Quando tiver vontade, vou lá buscá-los.
É, eu sei que é triste. Mas sabe o que é mais triste que isso? Chegar a um nível onde nenhuma delas faz mais diferença. O que elas são ou pensam ou pensam que são. Foda-se, na boa. No fim de tudo elas sempre serão melhores, sempre terão razão e sempre terão um motivo melhor que o meu. Não estou em guerra e nem vou me desculpar. Não peço desculpas, pois não errei. E também não me explico, não preciso. Não preciso explicar porque consumo energia, apenas pagar a conta. Da mesma maneira, não preciso explicar porque de repente não me importa mais se existe gente aí do outro lado da tela, do fio ou da mesa. Simplesmente preciso conviver com essas pessoas.
Eu sinto estar presa num mundo paralelo onde as pessoas de repente resolveram perguntar. Porquê não me responde? Porquê está em casa?Porquê dormiu? Porquê acordou? Porquê não conta? Porquê não diz? Porquê não vai?
Porque nada, porra! Porque eu to aqui quieta no meu canto, cuidando da minha própria vida que, acreditem, basta, e vem esse mundo de questionamentos, essa avalanche de dedos, todos apontando pra mim. Se cada um destes dedos estivesse se ocupando em criar alguma coisa nova o mundo seria e estaria bem melhor.
As pessoas se acostumam com o que está sempre ali. Mas nunca se preparam para o dia em que não estará mais. Eu não estou. Não disponível, como todo o tempo antes disso.
na lanchonete
Há 12 anos
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