São quinze pras duas da manhã. Saí do escritório às onze da noite. Voltei sozinha pra casa, correndo e com medo, por estar até tão tarde na rua em uma simples terça-feira. Porque depois de 14 horas ininterruptas de trabalho eu já nem faço idéia de que cor é a calçada e esqueço como é do lado de fora do escritório. Enfim, cheguei. Por sorte, minha pequena ainda estava acordada, me esperando pra "bincá" e contar como foi o dia. E, de volta às quinze pras duas da manhã, depois de colocá-la pra dormir eu sento no sofá, implorando pra que a dor de cabeça seja vencida pelo meu cansaço e vá martelar em outra cabeça antes de uma nova overdose de aspirinas. E também com um tiquinho de curiosidade pra descobrir como termina o episódio desta série que minha mãe acompanha religiosamente. Ali no sofá recebo o questionamento intrigado da minha mãe, depois de ouvir meu celular apitar incessantemente porque chegou msg: Kelly, você está namorando alguém? Quáaaaaaaaaaaaaaaaaa. Eu rio, óbvio. Risada mista de sarcasmo e ironia. Mas mãe é pior que brasileiro, não desiste. E lá vem ela emendar a conversa: filha, você ainda é muito nova pra desistir. Mãe, nós não teremos esta conversa!
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