Século XXI, modernidade, internet, mundo virtual, blá-blá-blá.
Nada disso justifica e, pra mim, pouco explica.
Homens e mulheres se testando, cada um a seu modo, mas todos com as mesmas intenções.
Homens são práticos, mas sonhadores. Com todo o seu vouyerismo, preferem olhar, de longe, fazendo comentários do tipo "essa tá boa" pro amigo ao lado. Assim, pra eles, mulheres são como peças de carne em exposição num açougue. Suculentas, rosadas, apetitosas. O cara aponta o dedo e pede o corte. Muitas vezes custa mais do que se pode pagar, então se reduz uma peça a alguns bifes só pra janta mesmo. O banquetão fica para o fim de semana de fartura.
Mulheres, ao contrário dos homens, não têm na visão seu sentido mais aguçado, mas no paladar. E para elas os homens são como aqueles fabulosos sorvetes de nomes quase impronunciáveis e cores vibrantes. E o delírio se faz por conta das minúsculas colherzinhas que ficam no balcão esperando que ela peça para degustar antes de comprar. Mulher é assim, prova tudo.
Muitos sabores depois, decide-se por duas bolas, uma sabor "céu azul" e outra "silvestre" - porque sempre ficamos na dúvida entre o belo e o selvagem.
E, mesmo com tanto cuidado na escolha, mesmo pensando tanto, ao final da rodada gelada o comentário é inevitável "devia ter pedido coco, meu preferido".
na lanchonete
Há 12 anos
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