20 de maio de 2009

Dentro do metrô, entre me equilibrar e torcer para não cair, com a cabeça em algum lugar que certamente não existe no globo, eu vejo um pontinho brilhando nas mãos de alguém.

É, eu vi quando o cara se agachou para pegar, mas pensei que fosse alguma coisa do tipo a chave dele, ou um desses papeizinhos minúsculos que a gente deixa dentro do bolso por muito tempo, até ele se desfazer no jeans de tanto lavar. Sei lá o que eu pensei, também.

Mas eu vi um pontinho brilhante indo e vindo nas mãos do moço. E ele brincando com aquilo, como um gatinho com um novelo de lã, pra lá e pra cá. E aquilo me distraiu por uns dois minutos, até chegar a minha estação.

Desci as escadas, como de costume. E não pensei mais no pontinho brilhante.
Meus pensamentos agora eram únicos: o sorriso da minha filha, a corridinha dela do corredor à porta gritando "mamãe" e ela tentando me contar em uma única frase sem qualquer articulação tudo o que fez o dia todo.

Isso me basta para esquecer todo o resto, juro.

E a vida seguiu seu curso.

Mas, quando sacudi meu velho jeans desbotado ouvi um barulhinho e pensei "oba, moeda!".
Não havia moedas em meu bolso, mas ao me agachar e olhar embaixo do armário do banheiro, bem próximo ao ralo, vi um pontinho brilhante.

Sim, ele caiu do meu jeans. Mas como diabos ele foi parar ali?
Me assusta tentar imaginar em qual dos bolsos ele estava.

Agora está devidamente guardado em minha caixa de "penduricalhos e afins".

Nenhum comentário: