Sabe, cada vez mais essa busca do ser humano pelas formas e corpo perfeitos me deixa triste. As pessoas querem emagrecer, mudar, ficar"bonitas", sem medir as consequências, sem pensar nas outras pessoas, essas que aguardam nas portas dos centros cirúrgicos pelas pessoas amadas, que passaram por aquelas portas, rezando pra que voltem as mesmas. O que provavelmente não vai acontecer.
Hoje, no consultório, uma moça(bonita, do meu modesto ponto de vista) avisava, feliz, que deixaria um bebê de seis meses e uma criança de três ou cinco anos sob os cuidados exclusivos do pai. O pai que, por sua vez, dizia ela, não teve tempo de agendar férias no trabalho para ficar com os pequenos, dada a ansiedade e pressa da moça(bonita, eu insisto) em realizar o procedimento, reduzir o estômago e ser uma magra feliz.
Ela ainda se perguntava o que fazer quando voltar pra casa e o bebê pedir colo, sem poder segura-lo, com dores, desconforto e, principalmente, muita, muita irritação.
"Bom, isso depois eu vejo". Foi essa a conclusão.
Pelo amor de Deus, longe de mim criticar quem decide por intervenção cirúrgica em prol do bem estar! O meu questionamento se restringe única e exclusivamente ao custo disso tudo. Quanto ser magra pode ser mais importante que segurar um bebê de seis meses no colo, quando ele sente dor de barriga ou apenas quer sentir o cheirinho da mãe?
Talvez aquela mulher que tenta engravidar há anos e nunca irá realizar o sonho de ser mãe possa responder. Assim como aquela dona de casa e mãe exemplar , que também quer se olhar no espelho e sentir orgulho de si mesma, também.
As duas teriam razão. E tudo bem.
Só o que continua não fazendo sentido pra mim e o fato do ser humano passar a vida em busca de pessoas pra dividir a vida, mas nas horas cruciais , em que a regra maior do amor se impõe, o egoísmo continuar predominante.
Coisas assim reforçam a minha vaga noção de que, apesar de mostrar e viver o contrário, eu acho mesmo que o ser humano deve viver sozinho. Só assim suas escolhas deixam de recair por todos a sua volta.
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