5 de agosto de 2014

O cara que disse isso a primeira vez tem toda a razão: amar é, sem nenhuma suspeita, colocar as necessidades do outro acima das suas.

Amar é esquecer de si e lembrar do outro. Não falo em se anular, viver pelo outro, mas dessas coisinhas simples, impensadas que vamos fazendo ao arrastar das horas, dias, semanas, meses e anos.

Falo de guardar o último pedaço de bolo, de abrir mão da Coca-Cola em função da dieta que você não precisa fazer; falo em mudar a estação quando toca a música que ele não gosta(e ouvir depois, sozinha, porque você adora!); falo em usar aquela lingerie apertada, só porque ele acha sexy, em tirar férias no meio do ano, pra combinar com as dele. Falo em pequenas conceções em prol de um bom relacionamento, como não surtar com aquele aparelhinho que devia ser só um telefone, mas toca incessantemente, dia e noite, com atualizações de redes sociais, notícias do time, convites de trabalho e sabe Deus o que mais. Falo de saber dosar a hora de falar e a hora de calar; saber a hora de dar boa noite e virar para o lado, ou a hora de entrar naquela ducha quente que leva pelo ralo toda a insanidade que só uma mulher na TPM e capaz de entender.

Falo, acima de tudo, em compreensão. Em saber que para cada gesto ou atitude que talvez magoe, existe outros vários gestos e atitudes que te fizeram dizer eu te amo.

Disso é feito o amor. Doar-se quando o outro, em sua fragilidade não consegue ser inteiro. Ser a engrenagem quando o motor ameaça falhar e, acima de tudo, não desistir.

Defeitos, todos temos, mas a decisão sobre quais devem ser tolerados por amor é única e exclusiva, tanto sua quanto do outro.

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