Adoro futebol. Aquele Pacaembu lotado, coisa linda de ver!
Adoro mais ainda o futebol, por ser tão parecido com a vida "real".
A gente dribla um, dribla outro, ensaia as jogadas mais extraordinárias. Treina chute a gol, treina falta, cava penalti (cava mesmo, todo mundo sabe, porque fazer manha também faz parte do espetáculo), pula daqui e pula dali porque se precisar cobrir o gol estamos de prontidão.
Só que nem sempre o gol sai. Tem jogo que termina assim mesmo, no zero a zero.
Às vezes alcançamos a façanha de acertar a trave. Com todo aquele espaço, atiramos na trave. Úuuuuuuuuuuuuu!
De vez em quando o atacante se machuca. De quando em vez o juiz rouba mesmo, na cara dura. E não adianta xingar a mãe dele.
Às vezes a linha de impedimento fica "torta", o cara fura e pronto, toma-lhe gol nas cabeças.
Mas a gente não desiste, espera o contra-ataque e vai pra cima, sem dó. Tira o time da retranca e parte pro outro meio do campo.
Sempre tem a torcida, que tá ali, empurrando, gritando, cantando e chorando.
E, na hora que sai o gol de verdade, aí tudo explode. O grito, o pulo, a dancinha imbecil, os tapinhas na bunda, o cavalinho... tudo vale nessa hora.
Porque todo o esforço valeu a pena. A língua pendurada do lado de fora da boca, a sede, a falta de fôlego, a canela roxa, a camisa rasgada... tudo vale a pena!
Igualzinho à vida como ela é!
na lanchonete
Há 12 anos
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