23 de abril de 2009

Foi com uma dor fininha que parecia sair de dentro do estômago que rasguei cada página.
Uma a uma todas foram sumindo, reduzidas a pequenos papeizinhos perdidos num saco de lixo.
Anos de uma vida, um recorte muito importante... pra mim, pelo menos.

Dez caderninhos com capas engraçadinhas, fotos penduradas com clips, canetinhas coloridas, declarações de amigas do colégio. Acabei com tudo.

Acabei porque decidi que seria a última vez em que a ouviria dizer "estou cansada de saber das asneiras que você escreve nesses diários, estou cansada de ler o quanto você é torta e quanta merda já fez. Te conheço, garota, sei que não vale nada".

E quando você percebe que passou boa parte da vida lutando por uma identidade que sequer existe, a coisa deixa de valer a pena.

E tudo bem que eu sempre pensei que chegaria o dia em que as pessoas entenderiam o porquê de tudo e me conheceriam de verdade. Não funcionou, pois quando tentei ser o mais transparente possível, a pessoa mais importante distorceu tudo... e mais uma vez resumiu aqueles dez anos em páginas coloridas a um simples "você não presta".

Tudo bem, eu reciclei tudo. Um dia essas minhas ex-páginas coloridas se tornarão novos cadernos nas mãos de novas pessoas.

E eis aí a maravilha da vida. Sempre há uma possibilidade de recomeçar e reescrever a história. Pena que na maioria das vezes são outras pessoas que o fazem.

*Desculpa, Sá, mas destruí sua herança*

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