A sensação é a mesma. Hoje, ontem, provavelmente amanhã, provavelmente até o fim de todos os dias.
Por algum motivo, não acerto uma.
Não acho dinheiro na calçada, não encontro coisas perdidas, não ganho R$ 0,50 em raspadinhas. Não. Eu, não.
E se fosse pura falta de sorte, ok. Dá pra viver assim.
Mas não, a coisa é séria.
Entre um caminho curto, simples e outro complicado, feio, sujo, difícil. Qual será que eu escolho?
É impossível. Não deve ser normal.
As decisões mais simples... eu complico tudo.
Duas horas pra decidir se vou pela Avenida Paulista ou pela Nove de Julho. E nisso perco o horário.
Meia hora pra decidir se tomo o suco antes ou depois da refeição.
Se adoço o café ou se passo requeijão no pão. Se visto a calça ou a blusa primeiro.
Se aperto o botão do elevador ou acendo a luz do corredor primeiro. Se entro pela garagem ou pela portaria.
Se mando texto pro jornal, ou se ligo pro jornalista.
Se vou ou se fico. Se durmo ou se assisto tv...
É tudo tão difícil. As decisões são tão doloridas de ser tomadas.
E no fim tudo é tão simples.
E tudo se resolve por si só.
Mas quando isso acontece, já perdi noites de sono, já perdi festas inesquecíveis, já perdi novas descobertas da minha filha, já perdi o fio da meada. Já perdi a vida.
na lanchonete
Há 12 anos
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