algumas pessoas são sensíveis a nós, de uma maneira inexplicável. e alguns detalhes surgem à nossa frente como afirmações, uma palavra que é necessário ouvir, um caminho que não era possível enxergar... ou somente a certeza, triste e direta de que você hoje está um lixo.
não importa quanto capriche na maquiagem; não importa o quanto sorria como se a sua vida fosse simples e facilmente melhor que a do resto do mundo; não importa quanto custou o perfume mais caro que só usa em dias especiais, mas decidiu usar hoje, pra despistar o mau cheiro que emana da podridão dentro de você.
a aura negra te envolve e, para aquelas pessoas sensíveis, é tão ou mais visível que a melhor roupa que esteja usando.
então eu vesti sim, uma roupa legal, usei o melhor perfume, caprichei na maquiagem e carimbei aquele sorrisão que só sabem dar aqueles que de fato têm algo a esconder. e algo feio.
é tudo um disfarce. disfarce pra esconder a noite passada em claro, rezando, chorando e implorando por uma luz que guie um caminho. disfarce pra esconder a tristeza que talvez até seja exagerada, mas é um daqueles sentimentos que não se controla.
porque é triste demais estar longe de quem se ama. e mais triste ainda é estar perto de quem se ama, e ser rejeitado. é triste dormir numa cama de solteiro, e mais triste ainda dormir sem um "boa noite, amo você". E mais triste que isso, é acordar sem um "bom dia".
então você dá aquele suspiro, estufa o peito e pensa: to exagerando, vai passar. e é nessa hora que vem o teto inteiro desabando em sua cabeça. porque outra pessoa que ama demais está largada no sofá, num estado tão deplorável, que é impossível não sentir (de novo) aquela angústia de quem vive sem saber direito porquê.
então você dá aquele suspiro outra vez. sai, bate a porta e faz de conta que nada daquilo vai estar lá quando voltar. como um sonho, que basta acordar e ele simplesmente se desfaz.
mas eu chego no trabalho e recebo um presente. uma flor. um origami lindo, feito com todo cuidado e carinho por alguém muito querido. mas uma flor negra. um papel preto, igualzinho ao meu interior.
algumas pessoas simplesmente são sensíveis demais a nós...
na lanchonete
Há 12 anos

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