17 de agosto de 2012

Então você chega aos 30 e percebe que tudo mudou. Você pensa que as coisas simplesmente mudaram. Em algum ponto, quando você menos percebeu, quando estava ocupado demais fazendo seja-lá-o-que-for, tudo mudou.

*Bobagem. Pura bobagem*

Nada mudou. Tudo continua no mesmo lugar e do mesmo jeito. Se alguma coisa está diferente, é sua perspectiva, porque a única mudança capaz de acontecer com você é a que você permite. Em algum momento despencou do seu rosto aquele óculos de ilusão que te fazia enxergar um mundo que na verdade nunca existiu. Pessoas que nunca existiram, lugares que nunca existiram.
É como aquela sensação, ao voltar a um lugar há muito não visitado: tudo parece muito menor do que você se lembrava, como um castelo que se transforma numa casa de bonecas.
É isso que a vida faz com você. Te faz enxergar as coisas nuas e cruas. E, na boa, verdade nenhuma é boa vista de perto. Porque um dia você olha pro lado e se vê sozinho, longe de todas as pessoas que, por um longo período fizeram parte da sua vida e, por algum motivo ridículo ou sentimentalismo infantil você acredita que chegaram até a gostar de você. Um dia.

*Bobagem. Pura bobagem*

O fato de dividir alguns momentos com algumas pessoas não faz delas nada especiais ou as compromete de alguma forma. Elas vão te descartar. Com o tempo é o que as pessoas fazem. E quando uma ou mais dessas pessoas se reunirem, nunca irão se lembrar de você como uma pessoa divertida, engraçada ou inteligente, a pessoa que você sempre imaginou que fosse. Na verdade, quando elas falarem de você - se elas falarem de você - vão lembrar de porres muito bem tomados, namorados possivelmente roubados e erros certamente cometidos.
É assim que a vida é. E pensar que não há mais tempo para amizades ou sentimentalismos infantis é a maneira mais eficaz de se certificar de que um dia, em dez anos, talvez estará com toda certeza SOZINHO. Então não, minha teoria não é real (graças a Deus!). Sempre haverá tempo para novos amigos, novos amores e qualquer outra coisa nova que sua vida peça, a qualquer momento. É preciso reciclar as relações todo o tempo. Ou apenas se conformar com um velório vazio.

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