Tá, eu to aqui tentando entender. Tentando imaginar que existe um mundo lindo e perfeito onde pessoas lindas e perfeitas são atraídas mutuamente. Onde você se encanta pelo cara que justamente se encanta por você também. Onde o cara liga no dia seguinte e onde não existe “a gente se fala”.
A-ham. Senta lá, Cláudia. Pára de sonhar, garota! As coisas não foram feitas para serem perfeitas. As pessoas não foram feitas para serem perfeitas. Ele é lindo? Ele articula uma frase inteira sem errar o português? Ele digita sms separando “a gente”? Ele é engraçado? Ele abriu a porta do carro? Te deixou escolher o filme - e assistiu
O diário de Bridget Jones sem bocejar nem uma vez? Que graça! Mas não, ele NÃO é perfeito. Ele é comum, ele é uma graça, mas ele pode não ligar amanhã. Ele pode não enviar sms, ele pode não mandar e-mail e ele pode não querer te encontrar de novo. ACONTECE! Talvez ele tenha encontrado outra pessoa. Talvez não. Talvez ele tenha preguiça de ir até sua casa. Talvez ele prefira assistir o programa do Gugu com a avó. Talvez não. Mas você não vai saber. NUNCA. E não tenta perguntar, vai ser pior. Pra essas situações, minha amiga taurina tem a melhor resposta: foi ele que perdeu, desencana e parte pra outra.
E comofas ser assim tão segura e determinada? Porque é fácil, vamos combinar. É fácil apagar o número da agenda, é fácil deletar do MSN, é fácil excluir do Facebook. Mas esse tal de
let it go, esse é difícil. Porque a rejeição é difícil. Não, você não está apaixonada. Você nem sabe se o dito cujo é um rapaz de família, ou se é um serial killer pronto pra te fazer de vítima - e nesse caso seria ótimo o desinteresse do garoto. Mas você não sabe. Você não sabe se ele ronca, não sabe se tem chulé, não sabe o tipo sanguíneo, não sabe qual o lado da cama que ele prefere, se já foi casado e tem cinco filhos com cinco mulheres em cinco estados diferentes ; não sabe se tirava notas boas ou colava nas provas, se trabalha no que gosta ou fez ADM porque ainda não se decidiu, não sabe se acredita em Deus, não sabe se quer passar as férias na Itália ou fazer um mochilão pela Espanha; não sabe se ele prefere um livro ou futebol de botão.
Você não conhece o cara! E o que tá sentindo agora é aquela alfinetadinha da rejeição, aquela com a qual não sabe lidar, aquele pontinho de interrogação que te cutuca e diz “então, qual o seu defeito?”. E não existe defeito. Só o tal ponto de interrogação. E aí, sinto muito, ninguém pode ajudar.
Um comentário:
A grande verdade é que nunca conheceremos totalmente uma pessoa, e nem a gente mesmo.
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