Eu sozinha na primeira reunião de pais da escola. Dá medo de falar, de parecer imatura, de parecer avoada. Aquele monte de pessoas felizes e de lares perfeitos me intimidam. Pessoas que casaram, construíram uma vida juntos e planejaram os filhos. Ali dentro me sinto o exemplo do mau exemplo. É como se os dedos todos apontassem pra mim. Famílias perfeitas, com seus carros e apartamentos próprios, empregadas e tudo o que a vida pré-moldada de comercial de margarina ensina. Eu sem alguém pra me apoiar nas minhas dúvidas primárias, pra me incentivar a fazer as perguntas bobas de quem nunca passou por isso antes. Eu ali ouço tudo o que eles têm a dizer e tento tirar o melhor proveito do que possam me ensinar. Sinceramente, cá entre nós, pra mim são um bando de de gente fazendo de conta que tá tudo bem e falando um monte de besteira. Aí eu penso em falar a verdade, pelo menos a minha, e mostrar que pelo menos eu, que não vivo nesse mundo de faz de conta, não concordo com nada daquilo. Mas pra quê? Pra pensarem que sou ainda pior? O que eu sei é que detesto esse formato pronto de família feliz, porque o fato é que é tudo mentira. E cansei de viver de mentiras. E mesmo assim eles todos me fazem sentir a perdedora. Sou eu que vivo a verdade e a verdade é a solidão. Verdade é não poder contar com ninguém além de mim mesma. Voltei a pé, pra pensar e pra esquecer. E, já chorando, percebo que só a Lua me acompanha. E nesse momento, atravessando a rua escura, sinto medo. E mais ainda, porque sei que não há agora e não vai haver nunca alguém do lado, pra segurar a minha mão e atravessar comigo. Não haverá jamais alguém ali, nem em lugar algum, capaz de fazer passar esse medo com um simples "estou do seu lado". E nunca mais vou ouvir o som de passos caminahndo ao meu lado. E esse é o tipo de coisa que faz falta; o voltar sabendo que alguém vai me encontrar, na estação de metrô, no ponto de ônibus... Não, jamais! No lugar disso, apenas eu e meus pensamentos. Na minha cabeça, a soma de todos os medos e de todas as contas. As equações pra saber se salário e contas se completam e a certeza de que preciso sempre mais e mais, trabalhar. E em meio a todas as somas e decisões - sobre a festa de aniversário, sobre a visita ao pediatra, sobre o desenvolvimento escolar etc etc e etc - falta alguém pra dividir os elogios do chefe, a promoção, as boas notícias e todo o resto. Porque a Elis ainda é pequena demais pra entender e... quem mais se importaria com isso tudo? Agora, encostada no ponto de ônibus, me dei conta que já faz tanto tempo que estou aqui que talvez o ônibus já tenha passado e eu nem percebi, mas a Lua ainda está lá, brilhando e me dizendo "calma que tudo vai dar certo". Amém.
Um comentário:
Logico que vai dar certo.
Ja deu!
Postar um comentário