21 de julho de 2009

Em homenagem ao amigo (que eu to com este post entalado desde sexta-feira)
Nunca imaginei que amigos se fizessem na mesa do bar. Nunca pensei que entre uma cerveja e outra fosse possível contar segredos e desabafar as dores mais doídas a pessoas que sequer me conhecem. Sim, eu estava entre amigos, mas mesmo entre amigos existe certa reserva. Mas naquele momento eu percebi que quem cria as reservas e amarras nessa vida somos nós porque se uma pessoa olha no fundo do teu olho e, absolutamente do nada diz "conta comigo sempre", ela me faz ter vontade de acreditar de novo que amar as pessoas sem pretensão alguma vale a pena, mesmo que seja pouco.

E nesse momento eu penso em como as coisas se constróem e se descontróem na minha vida, mas sou capaz de entender que a desconstrução é muitas vezes mais valiosa, pois dá lugar e espaço a novas tentativas e novas empreitadas. Derrubo as pequenas e velhas casas de madeira e começo a contruir novas edificações em alvenaria, para que desta vez sejam firmes e durem mais. Para que no meio do percurso um lobo sabichão não pense que pode me derrubar apenas com um sopro. Então chega o momento de agradecer. Agradecer a cada tijolinho que faz parte dessa construção. Cada tijolinho da minha vida que possui um nome, uma vida e divide comigo a sua capacidade de juntar-se a outros e novos tijolinhos e assim construir grandes coisas. Só, antes de terminar com um clichê, preciso dizer uma coisa a mais: nada seria construído se não houvesse a "cola" entre todos esses tijolos e essa cola não é cimento, reboque, nem exige habilidade com as broxas para se fazer. É tão mais simples que isso que envergonha dizer, mas ela é feita de coisas sutis, como este recadinho preso senvergonhamente à minha tela com um durex, que não diz absolutamente nada, é só uma despedida, mas me lembra alguém especial a cada vez que olho pra ele. Ou como um depoimento no orkut, que pede para ser deletado, mas diz eu te amo, no momento em que eu mais preciso saber disso, ou só aquele olhar por cima do computador, que diz "to aqui". Ou aquele convite pra tomar um café na "cozinha" enquanto ouve todas as minhas lamentações e enxuga todas as minhas lágrimas bem no meio do expediente. É, ainda, a bronca por ser teimosa e o tapinha na bunda dizendo "vai correr que o mundo é teu". É até mesmo uma pancada com pedra de gelo na cabeça, que serve para dizer "hey, acorda pra vida, garota". É até aquele e-mail malcriado, dizendo que quer me odiar, e aquele recado que diz "aprendi tudo com você". É esse tipo de cimento que cola meus tijolos. E dele eu não abro mão.

3 comentários:

carollina lauriano disse...

eu vou estar sempre aqui, atras do computador, e pela vida. na cozinha, na chuva e na fazenda, ou numa casinha de sapê. TE AMO!

Carol Zaine disse...

ôôô Mamis Kell, que texto mais lindo! :) Saudade, Amiga!

Roberta Nina disse...

Queria eu estar pendurada na sua tela de computador... every single day!
Vc e especial demais.
Amo vc!
E pra nao perder o costume: BEIJOTCHAU!